UFRPE celebra Dia da África com programação especial
Na próxima segunda, dia 25 de maio, a UFRPE celebra o Dia Mundial da África com o evento Conexão África–Brasil, uma articulação entre o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), fundamental na promoção da igualdade racial e ações afirmativas; o Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações de Gênero, Educação e Subjetividade Audre Lorde (GEPERGES), que investiga as interseccionalidades no campo educativo; o Incursões Literárias Afrodiaspóricas (ILÁ), voltado ao estudo de literaturas afrodiaspóricas em línguas espanhola, francesa e portuguesa; e o Núcleo de Internacionalização (NINTER) do Instituto Ipê.
Segundo a Prof. Kassandra Muniz, do Departamento de Letras (DL) e NEAB, “o objetivo da iniciativa é fortalecer os laços históricos e contemporâneos que unem nossa UFRPE ao continente africano, promovendo o reconhecimento e a valorização das identidades que compõem o espaço universitário”. Ela acrescenta que a troca de experiências visa também refletir sobre a inclusão e a internacionalização do ensino superior sob uma perspectiva afro-brasileira, construindo uma universidade plural e consciente de suas raízes ancestrais, incluindo as trajetórias, desafios e aspirações acadêmicas de estudantes africanos que integram os programas PEC-G e PEC-PG na Rural.
A programação começa às 11h30 com o Ajeum, momento tradicional de confraternização e reunião geral na sala do NEAB (Térreo do Prédio da Educação), seguido pela abertura de uma exposição interativa no Hall do CEGOE às 14h, e encerrando com a mesa de diálogo "Conexões Transatlânticas", entre 16h e 18h. Para inscrições, basta comparecer na Sala de Audiovisual, 2º andar do CEGOE. O evento oferece certificado para os participantes, reconhecendo o continente africano como parceiro vibrante da universidade brasileira.

ENTREVISTA: Profa. Dra. Kassandra Muniz (Departamento de Letras – NEAB - UFRPE)
Professora, qual a importância de uma universidade como a UFRPE celebrar o Dia de África?
O Dia de África é uma data internacional e o Brasil, sendo o segundo país com a maior população de pessoas negras no mundo, é marcado indelevelmente pela diáspora africana. Dentro de uma universidade que recebe estudantes de todo o continente africano, essa celebração torna-se impossível de deixar passar. É o momento de lembrar as contribuições, as parcerias e a forma como fomos constituídos por essa presença. O evento, protagonizado pelo NEAB e por grupos como o GEPERGES e o ILA, é fundamental para pensarmos a internacionalização da Rural não apenas com o Norte Global, mas estreitando convênios e trocas acadêmicas reais com instituições africanas.
O evento começa com o "Ajeum". O que significa esse ritual e por que ele foi escolhido para abrir a programação?
O Ajeum é uma palavra que remete ao ato de comer, e comer coletivamente. Nas nossas africanidades brasileiras, entendemos a alimentação como um ato político e um lugar de estreitar laços. Sentar-se ao redor da mesa para conhecer o outro a partir de sua cultura alimentar é uma forma informal e profundamente afetiva de integração. Começar por aí ajuda a quebrar barreiras iniciais de convivência, que é um dos grandes desafios dos estudantes estrangeiros.
Como essa "internacionalização do afeto" impacta a vida dos estudantes dos programas PEC-G e PEC-PG na Rural?
A interação com outros estudantes do continente e com estudantes brasileiros ajuda diretamente na permanência desses alunos. Quando estreitamos esses laços afetivos, criamos uma rede de apoio. A universidade ganha exponencialmente com a inteligência, a tecnologia, os sorrisos e as diferentes formas de ver o mundo que esses estudantes trazem. É a prática concreta da pluralidade e do respeito, mostrando que temos muito a aprender com as outras "sofias" (filosofias) que não apenas as do mundo ocidental.
A programação inclui uma exposição interativa no CEGOE. Como a arte e a cultura auxiliam no combate ao preconceito acadêmico?
Um dos maiores problemas em relação ao continente africano é a ignorância. É o desconhecimento que gera o preconceito. A exposição traz contribuições da literatura, das línguas e dos modos de vida africanos para que as pessoas possam ver a sofisticação dessa produção. O grupo ILA, por exemplo, foca exatamente nessas questões de língua e literatura afrodiaspórica. Conhecer essa produção é o melhor antídoto contra os estereótipos.
Qual o papel dos grupos de pesquisa GEPERGES e ILA nessa construção?
Eles são intrínsecos ao propósito do evento. O GEPERGES já trabalha com questões raciais e de gênero, e o ILA com a diversidade linguística e literária. Eles dialogam diretamente com a necessidade de fazer trocas acadêmicas que sejam, ao mesmo tempo, científicas e humanas. Sem esses grupos, não conseguiríamos conectar as pautas sociais da Rural com a sua política de internacionalização.
Esta é a primeira edição do "Conexão África-Brasil". Quais são os planos para o futuro desse encontro
Esperamos que ele se torne um evento fixo no calendário do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB). Quando essas ações deixam de ser ocasionais e passam a ser práticas do cotidiano acadêmico, ganhamos do ponto de vista epistemológico e garantimos que o racismo, que infelizmente faz parte da nossa sociedade, não impeça esses estudantes de concluírem seus estudos.
Qual mensagem final a senhora deixa para a comunidade acadêmica sobre o Dia de África?
Permitam-se conhecer o que o continente africano já nos deu e o que ainda pode dar em termos de tecnologia, literatura e formas de viver. Isso promove uma educação que nos transforma e nos faz melhores. Essa conexão beneficia não apenas a Rural e os programas de intercâmbio, mas a sociedade brasileira como um todo.
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